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096ST- Toda Vocação implica em decisões, riscos e sofrimentos inevitáveis, que assumidos fecundam...

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 Toda Vocação implica em decisões, riscos, obstáculos e sofrimentos inevitáveis, que uma vez assumidos e superados fecundam: entusiasmo, alegria e enfim Vida! Isto é Felicidade!
Atualmente estamos acostumados a uma propaganda hedonista, tecnicista e até assistimos ao desenvolvimento de indústrias de lazer. As pessoas adquirem a mentalidade de que é obrigatório ser feliz, por isso ficam com receio de sofrer e se culpam quando o sofrimento ocorre em suas vidas; forma-se, assim, um ciclo de “sofrimento por causa do sofrimento”.
É claro que devemos evitar o sofrimento sempre que for possível, no entanto o mais importante é reverter toda situação de dor moral, física, psicológica e espiritual que pudermos e dar um sentido, um para quê da existência do nosso sofrimento. Tal atitude nos ajuda a superá-lo ao invés de apenas suportá-lo.
Algumas vezes o sofrimento consiste em alguns obstáculos a serem superados no caminho rumo ao sentido da vida, portanto não podemos fugir nem evitar, mas sim enfrentar e superar. Faz parte da conquista do ideal transpor obstáculos e valorizar, com isto, a vitória da meta a ser alcançada, a plenitude da vocação e conseqüentemente ser feliz.

 

Muitas pessoas fogem destes pequenos sofrimentos ricos, influenciadas pela propaganda hedonista, e perdem o sentido de suas vidas, atalhando por caminhos errados. Como conseqüência, enveredam na busca de felicidade através do prazer, do ter e do poder sem jamais alcançar o alvo.
Em toda Vocação há uma parcela de luta, de sofrimento, de superação de obstáculos para atingir o alvo e realizar o sonho, o ideal, a meta.
Não se pode buscar a felicidade, o prazer em si. Ele vem por acréscimo, como sobre-produto, como algo mais, um “plus”, um retorno gratuito para o meu EU, em função de uma grande empreitada direcionada ao outro, ao TU.
 É o que sempre nos alertou Dr. Victor Emil Frankl: “Não procurem o sucesso. Quanto mais o procurarem e o transformarem num alvo, mais vocês vão errar. Porque o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser”.
Se alguém, por exemplo, estuda medicina, deve fazer uma série de pequenos sacrifícios, preparando-se para os exames, em vez de curtir ou passar noitadas, e coisas semelhantes, e desse modo poderá realizar um grande conteúdo de sentido quando um dia vier possuir como médico, o seu campo de atividade precioso e responsável.
Se, ao contrário, não estiver pronto para fazer os pequenos sacrifícios da vida acadêmica, orientando-se ao prazer do momento, isto é, ora vai dançar, ora remar, ora trabalha num emprego, ora vagueia..., então sua grande meta afasta-se a uma distância cada vez maior e talvez ele venha a exercer um dia uma profissão totalmente contrária a sua vontade”.
Saber fazer uma renúncia cheia de sentido é, talvez, a chave da felicidade, e no caso de muitas doenças como a histeria, e na problemática da mania ou da vagabundagem, a chave da saúde. (O alcoólatra que aprendeu renunciar ao próximo copo está salvo, e assim também o criminoso que sabe renunciar à próxima ação ilegal). Lukas, Elizabeth, Logoterapia, A força desafiadora do espírito, pág. 128 e 129.
“A felicidade deve acontecer naturalmente, e o mesmo ocorre com o sucesso; vocês devem deixá-lo acontecer não se preocupando com ele. Quero que vocês escutem o que a sua consciência diz que dever fazer e coloquem-no em prática da melhor maneira possível. Então, vocês verão que, a longo prazo — estou dizendo: a longo prazo! — o sucesso vai persegui-los, precisamente porque vocês esqueceram de pensar nele”. (li no Prefácio do Livro: “Em busca de Sentido, um psicólogo no campo de concentração”.        
Torna-se muito importante buscar os próprios sonhos, os ideais, falar sobre eles. Esta conversa gera em nós o ânimo de viver, aumenta a auto-estima. Está delineada a essência de nosso viver, o sentido, o significado do nosso viver é a perspectiva de vida, o rumo de nossa vida.
Tendo encontrado o sentido do trabalho, do lazer, da vida; deixamos a busca exclusiva do prazer em comer, beber, vícios, em 2º plano ou até os abandonamos. E buscamos escolher com critérios objetivos e decidir o que fazer; começamos a planejar e se autodeterminar na execução das tarefas a que nos propomos e daí, encontramos a verdadeira felicidade.
Precisamos decidir com sabedoria evangélica: “Dizei Sim se é sim, dizei Não se é não; tudo o que passa disto vem do Maligno.” Mateus 5,37.
Portanto, seja lá o que for que aparecer no horizonte de nossa vida, devemos submeter a um critério rigoroso de escolha adotado conscientemente: se concorrer para melhorar ou se está em sintonia com nosso sentido da vida, mesmo se for caro, difícil, rende lucro, dá felicidade, é bom. Então, dizemos Sim com todo gosto, entusiasmo e empenho. E se não concorrer para melhorar ou se está em discrepância com nosso sentido da vida, mesmo se for de graça, fácil, é perda de tempo, perda de energia de vida, é prejuízo, não dá felicidade, é mau. Então, dizemos Não com toda firmeza educadamente.
O sentido da vida coincide muitas vezes com a busca da plenitude da vocação, a rendição total e a dedicação a uma causa maior ou a uma pessoa. Esse autotranscender-se, esse “transbordar-se” nos faz feliz.
 
Juracy Villares
Comunidade Missionária Santíssima Trindade
 

Juracy Villares

Do livro: Vocação: uma vida encantada com Deus! Juracy Villares

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