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Alimento Espiritual: Artigos e Formação

:: Canais / Espiritualidade

Contemplação: é entrar em nossa casa interior!

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Contemplar: é olhar para dentro de si mesmo e se absorver do seu amado ou do objeto de seu pensamento a ponto de esquecer os outros, as coisas e até sua própria pessoa... Realiza uma verdadeira cura psicológica, proporcionando descanso e paz. E, se o objeto de seu pensamento for Deus, o efeito será irradiar Deus, de dentro para fora.
Existem três exercícios espirituais: cogitação (inquietude), meditação e contemplação. A contemplação é o grau mais elevado de oração que nos dá profundidade no relacionamento com o Senhor. É uma oração de expressão psico-afetiva.
Contemplar Jesus Cristo que habita dentro de nós, é encontrarmos com Ele no nosso interior como se nosso “eu” fosse uma casa. As pessoas batem à porta da frente e nós as acolhemos na sala de visita exercitando nosso amor ao próximo. Jesus bate à porta dos fundos, da cozinha, com muita intimidade, pois se considera “de casa”. É necessário entrarmos em nós mesmos, atravessarmos toda a casa (o nosso “eu”), e abrirmos a porta para Ele, manifestando, dessa forma, o nosso primeiro Amor a Deus.
Achamos muito difícil fazer isto !... O mundo de hoje nos atrai para fora, envolve-nos na busca desenfreada de poder e de bens materiais, desvia nossa atenção para as suas notícias e divertimentos, impõe valores superficiais e imediatistas, enfim, manipula de tal forma nossa vontade que qualquer atitude de silêncio e introspecção parece perda de tempo.
É como se vivêssemos sempre na porta da rua do nosso “eu”. Mas, se aprendermos a entrar em nós mesmos, a nos recolher, atravessarmos todo o nosso “eu”, e abrirmos a porta da cozinha ou dos fundos para o Senhor, um dia sentaremos com Ele à mesa no Céu. “Eu repreendo e castigo aqueles que amo. Reanima, pois, o teu zelo, e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato: Se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, Eu com ele e ele comigo” (Apo. 3,19-21).
O que falamos para uma visita que chega inesperadamente e nossa casa não está em ordem? Sempre respondemos o que qualquer dona de casa responderia: pedimos a visita que nos desculpe, falamos o que fizemos e o que deixamos de fazer, mostramos onde não limpamos..
Jesus Cristo também vem à nossa casa (eu) na oração, entra pelos fundos, bate `a porta da cozinha da nossa intimidade no momento em que nós estamos bem recolhidos no interior de nós mesmos.
Jesus nos ensina a recebê-lo assim: “Olhe Jesus, aqui está uma mentira que não pude ainda evitar, uma mágoa que dói, e a falta de perdão, porque resisto em aprender perdoar. Ali está ...” Tudo que você Me mostrar, ainda que for sujo como o vermelho escarlate, ficará branco como a neve”. “Pois bem, justifiquemo-nos, diz o Senhor. Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã! Se fordes dóceis e obedientes, provareis os melhores frutos da terra; se recusardes e vos revoltardes, provareis a espada” É a boca do Senhor que o declara” (Isaías 1, 18-20).
Na oração de contemplação Jesus surge de dentro de nós mesmos. Parece que mora no nosso quintal! A imagem do quintal é adequada, pois reflete a imanência e a transcendência de Deus. É necessário nos recolhermos para abrir a porta dos fundos, depois de atravessar todo o nosso eu; o nosso psiquismo (a casa); nosso corpo (a porta da sala); nosso eu social (o alpendre e o hall); nosso ser racional (sala de Televisão e biblioteca); a nossa sexualidade (banheiro); nossa afetividade (sala de estar e quartos) ; nossa vontade (cozinha e área de serviços).
Na contemplação podemos saborear cada momento, cada detalhe de nossa vida como se passeássemos dentro de nós mesmos com Jesus.
Poderíamos imaginar algumas queixas de Jesus: “Há pessoas que Me recebem na sala de visitas e Me hospedam com uma oração fria e formal, cheia de distrações e falta de atenção. Vêm na hora da oração e depois passam o resto do dia para lá e para cá e Eu fico preso na sala, como uma visita de cerimônia, sem liberdade de participar da intimidade de sua vida, de sua casa (reflete uma situação de oração formal, desencarnada da realidade da vida). Às vezes Me servem lasanhas, quando Eu só queria um arroz branco com feijão simples. Falam muito, enfeitam muito e, quando Eu quero falar, já saem da oração, da sala de visitas”. (trata-se de uma oração de aparências, por dever, faltando autenticidade, o segredo que abre o cofre do nosso coração é a verdade).
Oh ! Meu Deus, como é que o Senhor gostaria de ser tratado!
Ele começaria silenciosamente a nos ensinar, com toda certeza. Nós O perceberíamos andando pela casa toda, dando-nos ordens e onde Ele colocasse os olhos, as sujeiras se transformariam. Não haveria distrações na oração. As distrações também seriam orações mais sinceras e verdadeiras se colocadas em louvor. Deus é muito simples!....Tudo, até os maus pensamentos seriam levados a Ele em bandeja de louvor. Até mágoas!...Ele, sorridente, nos diria com muito bom humor : “É ...jiló, é só para os íntimos!...” (entenderíamos que as magoas eram jilós, e que Ele as queria apresentadas).
Na verdadeira oração contemplativa, Jesus fala o que quer. Ele fica à vontade, como “gente de casa”, andando e vendo tudo com simplicidade, nós vamos atrás d’Ele, nos caminhos do nosso mundo interior, apresentando tudo a Ele. É como se víssemos um álbum de fotografias ou uma coleção de lembrancinhas, ou quando arrumamos um quartinho de bagunça ou o porão e as coisas velhas de porão são o nosso passado. Neste tipo de oração há silêncio, adoração e reverência. Nós até falamos pouco.!.
Toda a casa é a nossa vida presente. Os planos, de aumentar a casa no quintal é nossa vida futura, que deve ser apresentada a Ele. Tudo se torna oração: os pensamentos, os sentimentos, os desejos possíveis e impossíveis, os textos bíblicos de que gostamos e os textos com os quais não concordamos ainda, os fatos corriqueiros do dia a dia... E, sendo maior a intimidade, menor a possibilidade de “erros de etiqueta social” com a visita, ou distrações.
Preocupação é ocupar-se antecipadamente com fatos que não ocorreram ainda. Seria como apresentar comida um pouco crua. Mas “gente de casa, às vezes come comida meio sem sal ou um pouco crua !...Acontece, né!...”. Quanto bom humor tem Jesus cristo ! Ele come de tudo !... Ele realmente é de casa, é o Senhor e o dono de nossa casa, de nosso coração. Jesus é o nosso companheiro na oração contemplativa e nos alimenta com sua companhia. É o hospede permanente da nossa solidão, se fizermos contemplação.
Método de Contemplação para a vida comunitária:
- Ler juntos o texto bíblico para compreensão.
- Orar em línguas para aquietar-se.
- Ler silenciosamente o texto bíblico, saboreando os detalhes da cena e os vários elementos. (marcar espaço e tempo ).
- Fechar a Bíblia e reviver a cena que você leu.
- Anotar os dados mais importantes da estória que reviveu.
- Comparar com o texto bíblico. Tudo o que está em sintonia com o texto vem do Espírito Santo, tudo o que está muito diferente do texto bíblico, vem do seu psiquismo, de sua projeção, de sua história de vida, de seus traumas, etc...
- Orar pela cura psicológica do conteúdo que está diferente do texto bíblico, ver o que significa isto em sua vida.
- Partilhar com a comunidade para ser mais transparente e criar unidade com os irmãos . Ser simples, cada um tem o direito de existir do jeito que é e todos tem defeitos. Só Deus é perfeito.
Que tudo seja para a maior glória de Deus !

Juracy Villares

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