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O conceito de Homem na Igreja de hoje

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O conceito de ser humano na Igreja sofreu uma evolução. O homem era considerado um ser dotado de corpo e alma. Havia na nossa espiritualidade um dualismo corpo e alma; o material e o espiritual.
O conceito de homem evoluiu com as descobertas científicas e tecnológicas, o apogeu da Era da Comunicação e a crise de vazio existencial do homem moderno que não encontra fora de si ao Grande Presença que habita no seu interior. Faz-se necessário um conceito de ser humano que responda a esses anseios de profundidade e inclua a realidade social, e a dimensão de sentido da vida. O biológico é evidente por si mesmo. O psicológico ganhou espaço fora da Filosofia. Então, a Antropologia e Ontologia de Victor Emil Frankl atualmente são mais adequadas a nossa realidade: social, biológica, psicológica e espiritual ou ontológica.
Antropologia e Ontologia Dimensional de Vitor Frankl.
O ser humano é uma unidade apesar da pluralidade. Victor Frankl chama de “Antropologia e Ontologia Dimensional” e explica pelo conceito geométrico a unidade ontológica do ser humano.
Vejamos:
  1. Se tomarmos um objeto por exemplo, um cilindro, (representando um ser humano) e o projetarmos em várias dimensões inferiores aquela que lhe é própria, as figuras obtidas pela sombra do objeto, se opõem umas às outras.
  2. Se tomarmos agora vários objetos diferentes, um cilindro, um cone e uma esfera, e os projetarmos numa mesma e única dimensão inferior aquela que lhes é própria, as figuras obtidas pela sombra dos objetos, serão iguais.

Como aplicar isso ao homem na psicologia?

  1. O ser humano projetado no plano da Biologia, Psicologia, ou Sociologia, isoladamente, mostra imagens diferentes segundo a dimensão tomada. A projeção, no plano biológico, têm por resultado fenômenos somáticos. No plano psicológico apresenta fenômenos psíquicos. E finalmente, no plano sociológico, fenômenos sociais. Mas a luz da ontologia dimensional a oposição não se faz na unidade do homem.
  2. Do mesmo modo, também um homem e qualquer fenômeno humano - que se constitui, em primeiro lugar, humano graças à dimensão do espiritual - tornam-se ambíguos no momento em que eu os projeto só no “plano” do meramente corporal-psíquico ou só no plano social.

Refletindo sobre a visão de homem usada na Igreja quanto as leis da Ontologia Dimensional podemos concluir que:

  1. A Igreja trabalha com o ser humano integral e precisa ressaltar esse conceito, não reducionista para os formadores, evitando a divisão. Se o ser humano é visto em partes, nunca veremos sua totalidade e chegaremos a conceitos contraditórios.
  2. Somente quando a pessoa é íntegra, bio-psico-social-espiritualmente, então, se auto-transcende torna-se verdadeiramente humana e ama. Na Igreja há grupos que vêem só a perspectiva social, outros com psicologismo e ainda outros de forma muito espiritualista.
  3. Ao reduzirmos os homens apenas a uma dimensão, quer seja ela, biológica, psicológica, social ou mesmo espiritual, as diferenças ficam camufladas e corremos o risco de massificação e de uma visão reducionista de homem, incompatível com o Evangelho. O ser humano é único e irrepetível. A salvação é pessoal.
Jesus Cristo em João 9,1- 41 salienta estas 4 dimensões do ser humano na história do cego de nascença.
Havia:
  • uma cegueira espiritual Jo.9, 13-17.
  • uma cegueira psicológica Jo.9, 18-23.
  • uma cegueira biológica Jo.9, 6-7.
  • uma cegueira social Jo.9, 8-12.

Também vemos o uso correto das dimensões do ser Humano em “O Deus da paz vos conceda santidade perfeita.Que todo o vosso ser, espírito,alma e corpo seja conservado irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo!” (1Tesslonicenses 5,23).

Juracy Villares

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