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Alimento Espiritual: Artigos e Formação

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O Jejum bíblico!

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Do livro: “Vocação: uma vida encantada com Deus!” de Juracy Villares.


Deus criou o homem à sua imagem e semelhança e nos fez para reinar e dominar a terra. Reinar sobre os peixes, as aves, os animais domésticos, os répteis e sobre toda a terra e tudo o que ela nos dá. É importante nos alimentar bem, dormir bem, usar bem da água, usar bem do espaço e do tempo, mas não nos submeter ao seu jugo. “Eis o que eu reconheci ser bom: que é conveniente ao homem comer, beber, gozar de bem-estar em todo o trabalho ao qual ele se dedica debaixo do sol, durante todos os dias vida que Deus lhe dá. Esta é a sua parte.Se Deus dá ao homem bens e riquezas, e lhe concede delas comer e delas tomar sua parte, e se alegrar no seu trabalho, isto é um dom de Deus.” (Eclsiastes5,17-18). Até é lindo colocar tudo isto a serviço do Amor.
Mas, Jesus nos exorta em Lc21,34 “Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso do comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida; para que aquele dia não vos apanhe de improviso”.
Hoje o mundo tem fome de Amor e faz a propaganda da busca de prazer e de poder para saciar o ser humano. Em decorrência disto, vivemos sob o jugo da escravidão do corpo, da beleza física e da moda. Somos uma sociedade hedonista, buscando a salvação do desamor em deuses falsos. “...há muitos por aí, de quem muitas vezes vos tenho falado e agora o digo chorando, que se portam como inimigos da cruz de Cristo: cujo destino é a perdição, cujo deus é o ventre, para quem a própria ignomia é causa de envaidecimento, e só tem prazer no que é terreno. Nós porém, somos cidadãos do céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo que transformará nosso mísero corpo tornando semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda a criatura”. Fil 3,18-21
Por toda esta inversão de valores se faz necessário neste tempo o nosso testemunho de Jejum bíblico, conforme está escrito em Mc.2, 18-20 “Ora , os discípulos de João e os fariseus jejuavam. Por isso foram lhe perguntar: Por que jejuam os discípulos de João e os fariseus, mas os teus discípulos não jejuam? Jesus respondeu-lhes:Podem porventura jejuar os convidados das núpcias enquanto está com eles o esposo?Enquanto tem consigo o esposo, não lhes é possível jejuar. Dias virão porém, em que o esposo lhes será tirado, e então jejuarão.”
O jejum é uma oração de desejo. O desejo de nos submetermos ao Senhorio de Jesus em amor e adoração verdadeira, com atitudes de abandono e de submissão amorosa à soberania de Deus em nós. É também uma oração de disciplinar, de dominar o nosso desejo humano para submetê-lo à Deus.
O jejum é uma oração de atitude e de pequenas provas de amor. Nós temos necessidade de ratificar nossas palavras de amor à Deus com atitudes até contrariando o nosso instinto de conservação da espécie para sermos mais verdadeiros com Deus. “Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade”. (1Jo.3,18). O próprio Jesus já previa que chegaria a hora de amar Deus com linguagem verbal e de atitudes, e até elogiou estes adoradores que o Papai Javé prefere. O jejum prepara para esta adoração mais perfeita. “Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e em verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito, e os seus adoradores devem adora-lo em espírito e verdade” (Jo. 4, 23-24).
Ha certas ocasiões em que Jesus recomenda o jejum como uma oração poderosa de grito de guerra, que nos convence que somos de Deus: “Quanto a esta espécie de demônios, só se pode expulsar à força de oração e de jejum”. Mt17,20.
A água é símbolo do Espírito Santo e deve ser tomado em abundância no dia do jejum. Proclama esta atitude, a vitória do Espírito sobre a carne, purifica o nosso organismo de toxinas. Alias, se faz necessário tomar aproximadamente 3 litros de água no dia de jejum. Existem muitos tipos de jejum, mas nunca se pode jejuar a água.
A ascese ou espiritualidade no dia de jejum deve ser mais acentuada, para aproveitar a força da oração e enriquecer aquele dia. Todo o tempo das refeições deve ser gasto com a Bíblia, conforme está em Lc. 4,4: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra de Deus”.
O que importa é oferecer à Deus a penitencia como uma decisão de amor, como uma renuncia espontânea amorosa no inicio do jejum. E fazer declaração de amor a Deus diante de cada alimento gostoso que porventura surgir, dizendo à Deus que Ele vale muito mais que este ou aquele outro alimento.
Pode-se jejuar só a pão e água, sem passar fome; ou jejuar os alimentos sólidos e tomar todos os tipos de líquidos, sem passar fome; ou criar outros tipos mantendo uma dieta balanceada. Jejum não é penitencia, vai alem. Não se pode reclamar, mas louvar à Deus diante da necessidade não satisfeita por amor à Deus. “De que serve jejuar, se disso não vos importais? E mortificar-nos, se nisso não prestais atenção? É que no dia de vosso jejum, só cuidais de vosso negócios, e oprimis todos os vossos operários. Passais vosso jejum em disputas e em altercações ferindo com o punho o pobre. Não é jejuando assim que fareis chegar lá em cima vossa voz.” (Isaias 58,3-4))
O jejum mais comum, pão e água, inicia-se às 18 horas, conforme a tradição dos judeus que iniciam o dia ao por do sol, toma-se uma sopa leve e oferece o jejum à Deus; só volta à alimentação normal no outro dia às 18 horas, com uma sopa leve.
Normalmente se jejua por um dia. Deve-se tirar uma refeição por vez semanalmente, até acostumar o organismo. A ultima refeição antes do jejum deve ser bem leve e a primeira refeição após o jejum também deve ser bem leve. É bom iniciar aos poucos, e voltar aos poucos à alimentação normal.
Para jejuar por mais de um dia é necessário ser uma pessoa saudável, viver uma ascese estável, estar sendo conduzida pelo Espírito Santo ao jejum e ter a permissão de um sacerdote que acompanhe o jejum. O sacerdote sempre supervisiona a saúde da pessoa, outros tipos de oração de sua ascese, a vida de sua família ou os outros relacionamentos próximos ou mais íntimos se estão dando frutos de santidade. Sabeis qual é o jejum que eu aprecio?Diz o Senhor Deus: É romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo,mandar embora livres os oprimidos, e quebrar toda espécie de jugo.É repartir seu alimento com o esfomeado dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir os maltrapilhos,em lugar de desviar-se de seu semelhante.” (Isaias 58,6-7).
É indispensável aumentar gradativamente um dia de cada vez se quiser jejuar prolongado. No inicio é muito difícil os 3 primeiros dias, quando ainda a nossa carne grita forte, guiada pelos instintos, mas depois nosso organismo se rende à força do Espírito Santo e ficamos silenciosos e alertas à voz de Deus, vivemos dias de felicidade, unção e presença suave de Deus. Muitos santos experimentaram manjares celestiais nestes dias de jejum. “Todos vós que estais sedentos, vinde à nascente das águas,vinde comer, vós que não tendes alimento.Vinde comprar trigo sem dinheiro,vinho e leite sem pagar! Por que despender vosso dinheiro naquilo que não alimenta, e o produto de vosso trabalho naquilo que não sacia? Se me ouvis, comereis excelentes manjares, uma suculenta comida fará vossas delicias.”(Isaias 55,1-2). Alguns santos viveram de Eucaristia e jejum vários dias.

Juracy Villares

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