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Alimento Espiritual: Artigos e Formação

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Ser gente! Ser Javezinho!

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Ser gente é existir. Em que consiste este existir?
Nós existimos à medida que perseguimos valores, metas, ideais que nos atraem e nos impelem a gastar a vida, a auto transcender-nos, a doar-nos, a sair de nós mesmos para uma missão maior que nós mesmos.
A Personalidade é a organização dinâmica, no interior do indivíduo, de sistemas psicofísicos que se manifestam em sua conduta e em seu pensamento característico, e possui um centro estável chamado Pessoa (que persegue finalidades imanentes e transcendentes).
A Pessoa refere-se à essência do ser humano, àquilo próprio específico dele. Constitui o centro da personalidade. Dá integração e autenticidade ao ser humano. {Eu = Pessoa} é portador de propriedades incomunicáveis, capaz de autoconsciência e persegue fins que podem superar a si mesmo e à sua espécie.
Em condições normais a Pessoa governa o seu meio íntimo, governa a sua personalidade, para responder à vida. A personalidade é o veículo pelo qual se move a pessoa. Os seres humanos desajustados são mal humorados, descentralizados de sua pessoa, ficam dependentes de outras, esperando algo de fora. Quando uma pessoa é centrada em si mesma, ela traz a identidade do que é, e reflete essa identidade, irradia para fora essa harmonia interior em sua linguagem, gestos e na expressão mímica, tornando-se bonita. Isto é ser eu mesma, ser bem eu sou!
Quando assumimos a presença e o senhorio de Jesus em nossas vidas e desenvolvemos um relacionamento pessoal com Deus, ouvindo o senhor que nos fala na voz da consciência, todo o nosso ser entra em harmonia e a nossa pessoa interior começa a governar nossa personalidade e somos nós mesmos, centralizados, irradiando tranqüilidade e paz.1
Só quando conseguimos amar, saindo de nós mesmos, amando gratuitamente, correndo todos os riscos de sofrer pela felicidade da pessoa amada, sem esperar nada em troca, então somos da mesma natureza de Deus que é Amor e temos maturidade psicológica afetiva.
Há aqui bem delineado um resumo do que consiste a nossa imagem e semelhança com Deus, o domínio sobre a nossa natureza, o que Deus espera de nós: celebrar a santidade de seu nome, amando. Deus espera que sejamos Javezinhos, sejamos de sua natureza, da natureza do Amor, com sua força, à sua imagem, para dominarmos a terra e os seres vivos como verdadeiros filhos do Rei, para o Amor!
Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.” Gen 1,26. Mas em que consiste esta imagem e semelhança?
Nosso Deus chama-se IAHWEH que quer dizer : “Eu Sou” . Moisés disse a Deus: “Quando eu for para junto dos israelitas e lhes disser que o Deus de seus pais me enviou a eles, que lhes responderei se me perguntarem qual é o seu nome?” Deus respondeu a Moisés: “EU SOU AQUELE QUE SOU”. E ajuntou: “Eis como responderás aos israelitas: (Aquele que se chama) “EU SOU” envia-me junto de vós”. (Êxodo 3, 13-14).
Poderíamos falar: “I’am” ou “Je suis” ou “Io soi” ou “Yo soy”. Nosso Deus é o EU SOU. Ele é a existência, nós somos seus filhos e criaturas suas. “Filho de peixe, peixinho é.” Somos rastros e raios desta Existência, somos “existenciazinhas”. “Deus é amor” (I Jo. 4, 16), filho de Amor “amorzinho é”, somos Amorzinhos. Somos da imagem e semelhança de Deus quando assumimos o Amor em nossas vidas.
Jesus disse: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que EU SOU”.Jô.8,28 No gesto dos braços abertos da Cruz está o verdadeiro ato de auto transcendência, de Amor, de filho de JAVÉ.
Um dos problemas mais comuns nos dias de hoje é a dificuldade dos seres humanos em “ser pessoa” e sair de si para o Amor. A dificuldade em ser pessoa, em deixar-se existir impossibilita a experiência de conversão e o desenvolvimento de uma vida de oração, no sentido de verdadeira comunicação com Deus que habita dentro da Pessoa, como um Tu e de uma vida de amor aos irmãos. No agitado corre-corre da vida não educamos para ser ontologicamente. Não há silêncio e tempo para o espiritual neste mundo materialista.
Encontramos sombras de gente cobrindo lugares existenciais de outros, enquanto os seus próprios lugares permanecem omissos e vazios. Filhos ocupando lugares existenciais de pais e mães. Mães assumindo lugares de filhos ou funções paternas. Pais assumindo funções maternas ou postura de filho.
As crianças não têm mais aquelas experiências de vida, soltar pipa, ir à escola sozinha, fazer pequenas compras na venda, brincar de pique, ou bola na rua, por causa da violência em que vivemos. Elas ficam eternamente voltadas para si mesmas e incapazes para o amor. As experiências infantis de resolver pequenos problemas, tomar pequenas decisões, enfrentar relacionamentos com amigos, realizar valores criativos e experiências infantis que seriam verdadeiras vacinas psicológicas para os problemas que enfrentariam na vida adulta. Então o processo da maturidade psico-afetiva fica superficial e atrasado.
O ser humano não está isento de determinismos biológicos, psicológicos e sociais. Somos de um determinado sexo, cor e raça. Temos influências de costumes e cultura de uma determinada região, somos sujeitos a condicionamentos sociais, culturais e educacionais. Mas somos livres para tomar uma atitude diante destes determinismos.2
O ser humano é livre para a realização do sentido da vida e cada situação tem um significado ou um sentido próprio. É buscando realizar o sentido da vida que nós autotranscendemos a nós mesmos saindo de nós mesmos para o Amor. O ser humano percebe a situação, o sentido e busca a realização. Quando o homem não descobre o sentido da vida, sua frustração existencial o leva a buscar prazer ou poder para ter felicidade e sucesso. Quanto mais busca mais logra encontrar. O prazer e o poder são uma volta para dentro de nós mesmos.
O homem é um ser que busca o sentido de sua vida. Esta busca é a vontade de sentido que move o ser humano. A vida tem sentido sempre e o ser humano vai descobrindo e concretizando este sentido, através da realização dos valores criativos, experiências e de atitudes em cada circunstância do momento.
Em nossos dias, um número cada vez maior de indivíduos dispõe de recursos para viver, mas não tem um sentido pelo qual viver. A maior perda do ser humano é o sentido da própria vida
Numa sociedade tecnológica e secularizada a formação do homem é só acadêmica e a parte existencial, afetiva e ética da pessoa fica superficial, carente de experiências mais profundas que possibilitem a reflexão e a formação de valores.
Uma criança criada em ambiente tumultuado por crises familiares: (condições econômicas insatisfatórias gerando brigas, ou sofrendo rejeição ou colocada um tempo enorme diante da TV, ou vivenciando separações dos pais) sofre uma dor existencial maior do que pode suportar e então ela mesma se anula e fica assistindo a vida. Parece a menina do espelho que assiste a vida e nunca tem vez de existir porque não foi amada.
Parece que está sempre está sempre na sala de espera da vida, apresenta baixa auto-estima, considera-se valendo menos que os outros, torna-se falsa boazinha, subserviente: faz tudo o que lhe pedem sem questionar. Em cada relacionamento não descobre seus limites e fica sem defesa pessoal, invadido pelo ambiente. E se não luta por seus valores, não se ama, nunca vai se auto-transcender. É a própria imagem do Oprimido. É bem o contrario de “Eu Sou”.
Alguns neste estado de apatia se agarram à bebida, à droga, a um cargo de autoridade, ou algum meio externo de falsa auto afirmação do ser e apelam para tornarem-se Opressores como revanche da situação. Apresenta-se nesta fase como donos da verdade, salvadores de todos, até parece que ninguém presta só eles. Considera-se com valor máximo e as pessoas à sua volta como desqualificadas e descartáveis. Ficam ativistas, sem reflexão e sem elaborar seus valores próprios, invadem o espaço psicológico dos outros às vezes até com agressão. Buscam o sucesso, não amam as pessoas, não amam o que fazem e não se realizam como pessoa..
O ser humano precisa descobrir seus valores, seus sentimentos, sua originalidade, seus limites, sua missão existencial. A vocação, a missão existencial, fundamenta-se num ser já existente. Então o primeiro chamado vocacional é a vocação de existir, de ser gente.
A morte ontológica do ser humano impede a descoberta da vocação. Em uma gente sem se sentir GENTE, num ser com morte espiritual, vazio, sem valores assumidos não há encantamento, nem alegria, nem garra, nem entusiasmo. Como falar de vocação quando nem se conseguiu existir? Como existir se não fomos amados? É necessário ser amada para ser GENTE e se sentir filha de Deus.
O aspecto básico deste problema de ser eu mesmo, de ser ontologicamente está na visão de homem adotada pela educação, pela psicologia, pela Igreja e por todos os setores que trabalham com o ser humano. A boa-nova do Evangelho se fundamenta numa visão de homem integral como se expressa em : “O Deus da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser: espirito, alma e corpo sejam conservados irrepreensíveis para a Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!” (1 Tessal. 5, 23). Este ser eu mesmo é resultado do processo educativo. Quando somos respeitados e amados, o ser ontológico se desenvolve naturalmente. A educação deve permitir o uso da liberdade para errar e acertar, para responder à vida, para amar.
Esta unidade existencial do ser humano, este ser eu mesmo, este dar-se conta da própria existência requer receber amor, requer deixar-se amar, amar a si mesmo, adquirir autonomia, auto-transcender-se, sair de si mesma para o Amor e exercer a liberdade para responder à vida com responsabilidade e Amor.
A cura do nosso ser ontológico, deste ser eu mesmo pode ser facilitada pela fé no Amor de Deus por nós, crendo que Deus nos ama e quis a nossa existência assim como somos. A fé no amor de Deus por nós, nos faz amar-nos, e amar as pessoas. “Mas amamos, porque Deus nos amou primeiro” (I Jo. 4,19).
Assumir isto, faz jorrar graça e amor suficiente para existir, para sarar muitas doenças psicológicas, e nos dá condições de buscarmos um sentido para as nossas vidas e ainda sobra amor para ajudarmos Deus a amar os outros gratuitamente.
Isto é ser JAVÉZINHA ! Ser Pessoa! SER GENTE !
 

 

Agradeço a Deus, as pessoas que me amaram e assim possibilitaram que eu me fizesse gente, para eu amar e ...
ser Javézinha, amando todo mundo!
 

1“Quando começamos a tentar obedecer a Deus, Ele se torna para nós muito pessoal, não apenas uma vaga força. Nossa idéia Dele muda. Então, na medida em que Ele nos mostra as profundezas da nossa personalidade, profundezas boas e más, nossa idéia de nós mesmos muda. Descobrimos que não conhecemos a nós mesmos muito bem. Na medida em que decidimos existir Nele, Ele começa a ajuntar os nossos pedaços espalhados, dos quais estávamos separados.” (Payne, Leanne, A Imagem quebrada: Restaurando a Integridade Pessoal através da Oração de Cura, 1981, pg. 138
 

2“A liberdade do homem não é estar livre de condições, mas antes estar livre para tomar uma posição em quaisquer condições que porventura o cerquem.” (Frankl, Viktor E., The will to Meaning, New American Library, Nova Iorque, 1970, p. 16).

Juracy Villares

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