Banner Principal

Alimento Espiritual: Artigos e Formação

:: Canais / Espiritualidade

Jesus Homem santificou a nossa humanidade!

- Imprimir artigo

A Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo é um assunto muito mais focalizado e estudado pela Igreja Católica Ortodoxa, enquanto que a Redenção de Jesus Cristo nos remindo de todo o pecado é bem mais estudado e enfatizado pela Igreja Católica Romana.
Hoje vamos refletir sobre a Encarnação. Entre Deus e nós (seres humanos) existe uma enorme diferença de natureza. Por isto, sem a mediação de Jesus Cristo, que gera a fé pelo batismo e pelo anuncio, (Rom. 10,17) há entre nós e Deus um abismo intransponível. E fica impossível a compreensão, a comunicação recíproca, a convivência e o amor recíproco entre nós e nosso Deus. Assim ocorre com o ateu, o ímpio, o pagão. Eles não conseguem captar a existência de Deus.
Para compreender a intensidade desta diferença da natureza divina e humana, quero comparar com as pequenas diferenças de natureza dos seres da Biologia com o homem. (ainda que sejam diferenças infinitamente menores!...).
  • Veja a vida de uma formiga e a vida de um homem! Ela capta o ser do Homem?
  • Olhe a existência parada de uma pedra e de um menino que descobre a vida!
  • Observe o dia a dia de uma arvore e de uma mulher dona de casa!

Não é difícil concluir que é incompatível para os seres inferiores e para o homem a compreensão, a sintonia, a satisfação da convivência, o amor recíproco. “O homem pôs nomes a todos os animais, a todas as aves dos céus e a todos os animais dos campos; mas não se achava para ele uma ajuda que lhe fosse adequada”.Gênesis 2,20. Não há adequação entre naturezas diferentes. Estas vidas do reino animal, mineral, vegetal são simples e limitadas, em comparação com o complexo ser humano! Como é distante e complexa a realidade humana, a comunicação humana. O ser humano é um micro-cosmos, é o representante do universo diante de Deus.

Uma diferença muito maior, infinita existe entre nós e a Trindade Divina. Como é distante a nossa realidade limitada diante da Grandeza e Magnitude de Deus! “Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor. Mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos”.Is. 55,8-9. Alem de ter natureza muito limitada e inferior a Deus, o pecado no ser humano faz sua natureza ser decaída, cega, surda e oposta à imagem e semelhança de Deus.
Jesus Cristo, a Misericórdia Infinita, o Todo Poderoso, a Perfeição Eterna se encarnou, redimiu pela cruz e santificou esta nossa existência humana limitada sendo HOMEM por 33 anos. Ele até se chamava o FILHO DO HOMEM.
“Deus veio viver a nossa vida!” Será que você seria capaz de romper com a diferença de natureza e descer até o nível animal? Seria capaz de viver um único dia na casinha de seu cachorro com ele, se sujeitando a todas contingências de sua vida: ração, osso, carrapato, doenças de cachorro, pulga, outros colegas da raça, água, cheiro de cachorro, cara de cachorro? NÃO! ... Seu amor por seu bichinho de estimação acaba aqui. Jesus Cristo desceu até nós homens, viveu conosco 33 anos, como um de nós.
A simples presença da divindade de Jesus Cristo vivendo a nossa vida humana já santifica todas as contingências de nosso espaço, de nosso tempo, de nossa limitação, de nossas fraquezas.
Jesus Cristo viveu todas as “situações-limites” do ser humano, teve seu corpo com Chagas e teve 3 horas de agonia na cruz, que além de redimir do pecado, santificou as nossas dores, nossas doenças, nossas limitações, nossa fraqueza, nosso desamor.
Amar é ouvir, amar é viver a vida do outro, amar é fazer morada na vida do Tu, amar é mergulhar na vida do outro. Jesus Cristo amou os seres humanos.
Às vezes é tão difícil ouvir, mergulhar no outro ser humano com o referencial dele, com a realidade dele, diferente da nossa. Muito mais difícil acolher, ouvir e amar pessoas limitadas, psicóticas, revoltadas, carentes de afeto, que se sentem muito desprezadas e um estorvo da humanidade. Estas pessoas limitadas são sempre evitadas e tratadas com atitudes que mostram para elas que são descartadas, inoportunas, inconvenientes sempre.
Descobri que Jesus Cristo entrando na limitação da natureza humana com Amor, com todo gosto e paciência durante 33 anos de filho do Homem, viveu e curtiu a limitação humana em todas as dimensões: dentro de si, fora de si, no ambiente desconfortável, nas outras pessoas com quem convivia. Quanto amor Jesus viveu limitando-se por nós homens? Ele é o próprio Amor! O que me custa só dar um tempo de minha vida? O que me custa ouvir, amar e acolher a limitação do outro só fora de mim?... Eu tenho feito a experiência de amar, acolher com prazer e dar um tratamento como se estas pessoas limitadas fossem as mais importantes do mundo, as mais agradáveis, as mais amadas e interessantes do mundo e vejo que ocorre uma grande melhora no seu interior, uma revolução do Amor!
É tão gostoso quando a gente é esta pessoa rejeitada, maldita, mendiga de amor e encontra para surpresa nossa, uma pessoa importante me colhendo, amando com gosto, como se eu fosse agradável, bonita, bendita! O amor entra na gente e agradecida, seduzida, ficamos querendo até ser escrava, disponível, discípula, seguidora desta pessoa para sempre. É o amor que faz discípulos! Jesus Cristo foi este “Importante” que desceu na nossa mendicância de amor e nos seduziu com seu imenso Amor!
Por Amor, Jesus Cristo se materializou, entrando no espaço e no tempo, com sua encarnação santificou a nossa humanidade e nossa existência. Foi esta feliz aventura de ser verdadeiramente Deus e verdadeiramente Homem simultaneamente, que Ele nos amou e nos uniu à Ele. Como pode Deus Plenitude perfeita, Infinitamente Grande, Complexo caber no pequeno espaço de ser homem simples, limitado por um corpo humano? Como pode Deus imortal viver a experiência da morte? “... à aparição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a qual a seu tempo será realizada pelo bem-aventurado e único Soberano, Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, o único que possui a imortalidade e habita em uma luz inacessível”, (1Tim. 6,15-16). Como se encolheu o Deus Infinito, (sem começo, nem fim) Alpha e Omega, para caber no tempo finito, na temporalidade da vida humana?
Santo Agostinho, no livro das Confissões, questionou a limitação, o tempo, o passado que só existe em nossa memória, o futuro que só existe enquanto expectativa, o presente existe em extensão e como atenção, todos como ações de nosso espírito. O esforço presente transforma o futuro em passado. É a vida! Deus entrou nesta ciranda: é a Encarnação do Verbo, da Palavra Viva de Deus.
“Mas porque a tua Misericórdia é melhor que todas as vidas, a minha vida nada mais é que uma distensão e a tua destra me sustentou no meu Senhor, o filho do homem, mediador entre Ti, que és único, e nós, que somos muitos e que vivemos divididos por paixões diversas e objetos vários. Assim é, para que eu alcance Aquele por quem já fui alcançado e me desprenda da dissipação dos dias antigos, seguindo a Deus Uno. Assim, esquecendo o passado, sem a preocupação das coisas futuras que passarão, e inteiramente voltado para o que é Eterno, poderei caminhar para o prêmio da Vocação do Alto, não na distensão, mas com desejo pleno; lá ouvirei o cântico dos teus louvores e contemplarei a tua Beleza que não tem começo nem fim.” Santo Agostinho em Confissões, Livro XI, 29.
Jesus Cristo Alpha e Ômega, princípio e fim, santificou os dois momentos mais difíceis que marcam o inicio e o fim da temporalidade do ser humano: a fecundação e a morte. Todo o ser humano naturalmente tem medo da morte. E será que o inicio da vida é doloroso?
Na sua 1ª vinda, Jesus Cristo desceu ao mundo e viveu nossa limitada circunstância humana de sobrevivência, de afetividade, de percepção da realidade, de sexualidade, de identidade psicológica humana, de relacionamentos sociais, de trabalho, de amizade, de estudos, de leitura e divinizou, santificou todas estas contingências de nossa vida.Isto nos dá força de lutar e viver! Jesus Cristo foi homem! Então eu também posso passar por isto, e SEGUI-LO por toda a minha vida.
Quando estamos diante de uma realidade difícil, diante do silencio, do desprezo, do desamor ou diante de uma tentação é bom dizer com confiança: Jesus Cristo sabe o que eu estou vivendo. Ele também viveu isto. Ele sentiu assim um dia.

Juracy Villares

Comunidade Missionária Santíssima Trindade

Copright 2002 - 2006. Comunidade Missionária Santíssima Trindade - Todos os direitos reservados