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Etapas da Maturidade Sexual

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Do livro: “Vocação: uma vida encantada com Deus!” de Juracy Villares.
Quando falamos em sexo, precisamos situar o contexto que estamos usando como referência. Atualmente, há um bombardeio de ‘concepções’ e ‘teorias’ sobre sexo, completamente opostas ao ideal aqui proposto, causando confusão e influenciando a juventude desprevenida de reflexão e de valores próprios.
Aqui, neste artigo, está a concepção cristã da vida sexual, vemos a beleza da sexualidade no homem e na mulher como Deus a concebeu. O mundo de hoje não percebe essa maravilha. O pecado cegou-lhes os olhos. Por isso, existem no mundo atual, quatro diferentes mentalidades a respeito de sexo, conforme a tabela no final.
Independentemente da mentalidade, o desenvolvimento sexual acontece após a puberdade, e a necessidade sexual revela-se de modo súbito à consciência do homem como uma invasão do orgânico no psíquico. Ocorre um impacto somático endócrino que é refletido no psiquismo.
O amadurecimento sexual se processa em etapas, sendo importante que os pais conheçam o processo e vigiem para que seu filho não estacione em etapas inferiores à maturidade e, até possibilitem o desenvolvimento psicológico emocional e sexual deles para chegarem ao amor humano heterossexual que os faz adultos.
O amadurecimento sexual se processa em etapas: impulso sexual, instinto sexual, tendência sexual – que marcam os degraus do caminho para uma síntese feliz da sexualidade e do erótico – e o amor.
No início, é uma sexualidade amorfa, que ainda não foi integrada, é um mero impulso sexual ainda sem meta, que encerra apenas uma descarga (desintumescência) do estado de tensão mediante contrectação (de acordo com A. Moll) com qualquer indivíduo do sexo oposto.
Do impulso ainda sem meta nasce o instinto sexual que já se dirige a uma meta instintiva não específica (de tipo genital-sexual) e, progressivamente, o instinto sexual endereça-se a determinado ser humano, representante do sexo oposto.
O instinto que era endereçado apenas a uma meta instintiva de um ser humano, começa a ter direção, intencionalidade, através da atração física, convertendo-se em tendência sexual que visa a uma pessoa especificamente: a pessoa amada. Então, torna-se uma expressão da personalidade.
A tendência erótica dá intencionalidade ao instinto sexual, realizando a integração, e proporciona uma satisfação bem mais verdadeira do que o puro instinto sexual. Aparece, então, o Amor sob forma de ternura, confiança íntima, mútua compreensão, camaradagem. É o desejo que se tem de estar acompanhado, de conviver, o anelo de convívio no sentido anímico-espiritual.
O amadurecimento psicossexual é uma convergência progressiva de tendências sexuais e eróticas no amor. A tendência sexual dirige-se exclusivamente àquela pessoa única que a tendência erótica lhe ditou. O ser humano realmente amadurecido só pode desejar sexualmente a pessoa que ama, numa atitude monogâmica.
Na adolescência, as tendências espirituais, eróticas e sexuais são paralelas, fragmentadas e se direcionam a várias pessoas ao mesmo tempo. A síntese das tendências é o amadurecimento psico-afetivo sexual, que ocorre mediante a descoberta de um único outro. Envolve um momento crítico para o ser humano quando um estímulo heterossexual, ou seja, uma pessoa do sexo oposto, possibilita que ocorra a síntese da tendência espiritual, da tendência erótica e da tendência sexual direcionada a esse estímulo, independente da ocorrência de ato sexual. É amor humano sexual. A partir desse momento, a sexualidade terá nova forma de expressão. A necessidade sexual diminui, ou melhor, fica direcionada somente a essa pessoa.
A respeito da chamada necessidade sexual da juventude, temos dois tipos diferentes de problemas: a frustração sexual (falta de namoro) e a frustração existencial (falta de sentido de vida).
Quanto à frustração sexual, “basta incentivar e proporcionar aos jovens em questão a companhia de pessoas da mesma idade, de ambos os sexos, com danças, esportes e lazer descontraídos. Feito isto, o rapaz mais cedo ou mais tarde ficará ‘apaixonado’, isto é, encontrará uma companheira e, claro está, no sentido erótico e não no sentido sexual da palavra. Em acontecendo isto, logo a necessidade sexual desaparece como que por encanto. Estes rapazes admitem com freqüência, por exemplo, que literalmente ‘se esqueceram’ de se masturbarem. Sentem-se atraídos pela companhia da moça que escolheram, para além de qualquer atitude sexual.
Quer dizer: aquilo que é grosseiramente sexual nos jovens passa automaticamente para segundo plano, no exato momento em que se apaixonam emocionalmente, com as suas exigências insatisfeitas, ou apesar delas. E, em contrapartida, passa para primeiro plano o erótico. Assim, bruscamente, a tônica desloca-se do sexual para o erótico, verificando-se abrupta mudança de tom entre as tendências sexuais e eróticas que se apresentam, nos jovens, em certo antagonismo”.1
Assim, a prevenção de distúrbios neurótico-sexuais baseia-se numa educação da capacidade de amar e na capacidade de entrega de si mesmo. A atração física heterossexual é saudável e resultado de um funcionamento normal da hipófise e das outras funções psíquicas.
O jovem deve ser orientado também a andar em turmas com heterogeneidade sexual, namorar bastante, apaixonar-se, entrar e sair de relacionamentos afetivos heterossexuais para ter um bom desenvolvimento erótico. O erótico deve preceder o desenvolvimento sexual. É mais rica a experiência de vida e mais profundo o desenvolvimento interior, se namorar. Psicologicamente, nessa fase, é preferível namorar a “ficar”.
Quanto à  frustração existencial, o vazio existencial faz brotar uma forte sexualidade. Quando uma pessoa sofre uma crise existencial ou comunitária, a atração física fica acelerada temporariamente; mas, passada a crise, tende a se normalizar. Quando uma pessoa não tem uma missão existencial ou não busca um sentido maior que a si mesmo para viver, fica com um vazio interior. Então, para preencher esse vazio, busca prazer nos devaneios, ficando escrava da atração física. Pode muito bem acontecer que a pessoa procure iludir a frustração existencial por meio de uma compensação sexual. É a fuga à frustração existencial, com a correspondente procura de uma compensação sexual, levando a uma espécie de caça ao prazer. Entretanto, quanto mais alguém anda à caça do prazer, mais o rechaça. É como se aquela sensação de vazio, que definimos como vácuo existencial, conduzisse a uma inflação de sexualidade. Afinal, só no vácuo existencial é que a libido sexual pode exceder-se!
Quando uma pessoa descobre um sentido digno para a sua vida, maior que ela mesma, seja na arte, na cultura ou na religião, e se lança a realizá-lo, supera as atrações físicas com facilidade e naturalidade. Jesus Cristo deu o remédio psicológico certo, indicou bem quando disse a Pedro que era bom “amar três vezes mais a Jesus” (João 21,15-17). O amor intenso por uma causa resolve a frustração existencial, é terapêutico, dá equilíbrio para a vida celibatária e conjugal.
Resumindo, a pessoa vocacionada deve ter uma educação que desenvolva a capacidade de amar, de sair de si mesmo para uma causa espiritual maior, que dê sentido à sua vida, seja ela de ordem profissional, artística, política, filosófica, ou dar também formação kerigmática afetiva e emocional para fazer resplandecer toda a força religiosa. Além da formação intelectual teológica ou catequética é necessário dar à juventude uma experiência de Deus. Isso se dá pela oração, pela execução de projetos missionários e pela experiência mística de Pentecostes e de contemplação. É preciso crer em Deus, mas muito mais amá-Lo. Quanto mais se absorver por uma causa apaixonante, menor a necessidade sexual.
 
4 DIFERENTES MENTALIDADES SEXUAIS
 
SEXUS
EROS
FILIA
AGAPE
Definição psicológica
Impulso neuro-hormonal.
Instinto, posse.
Tendência humana e necessidade de doação.
Opção de amor.
Dimensão
Reflexos arcaicos animais, satisfação individual, fugaz.
Humana carnal egoísta, frágil, sujeita a ciúmes, sem noção de família.
Humana consciente, com noção de família definida no espaço e tempo: casal.
Plenitude humana comunidade, imortal e eterna.
Sentido do relacionamento
Sub-natural, anti-natural.
Religião manipulada: cristão carnal.
Com abertura para a outra pessoa.
Resposta oblativa, com entrega ao sobrenatural.
Sentimentos
Sentimentos inexistentes.
Domínio, ciúmes.
Respeito mútuo.
Amor a Deus, ao ideal e ao cônjuge.
Gravidez
Ocasional e faz-se o aborto provocado.
É usada como trunfo, um peso ou um problema.
Escolha mútua, com controle da natalidade.
É uma exigência gerar até filhos espirituais.
Escolha de parceiros
Nenhuma, aceita-se tudo, sem escrúpulos.
Escolha pelo desejo próprio e pelo que o outro tem.
Escolha pelo que o outro é.
Escolha pelo que o outro pode vir a ser.
Meta de realização
Homeostase, desabafo, alívio, sem crescimento.
Vencer a solidão, auto-afirmação, complexo de inferioridade, crescimento mínimo.
Exige correspondência mútua, amplo crescimento, encontro com o Tu.
Maturidade completa, êxtase, encontro com o Tu plenamente.


1 Pois bem: a proporcionalidade recíproca entre a sexualidade e a eroticidade é precisamente aquilo de que nos devemos servir para tratar os rapazes novos que sofrem de “necessidade sexual”. Frankl, Viktor E. Psicoterapia e sentido da vida, p. 213.
 

Juracy Villares

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