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Alimento Espiritual: Artigos e Formação

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Como está a sua Fé?

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Do livro: “Vocação: uma vida encantada com Deus!” de Juracy Villares
O Pentecostes sempre renovado e a Eucaristia levam-nos a uma vida de santidade e de Fé que responde ao chamado de Deus. Crescem em nós os dons de santificação. “Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento. Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor do Senhor” (Isaías 11,1-2), e as virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade.
Há, na vida de oração e na comunhão dos irmãos, uma resposta de fé à santidade em três níveis de espiritualidade.
No primeiro estágio da caminhada à santidade, temos fé racional na lei de Deus. Cremos na lei e nos mandamentos ensinados e obedecemos. Esforçamo-nos buscando ler a Bíblia. “Tem ânimo, pois, e sê corajoso para cuidadosamente observar toda a lei que Moisés, meu servo, te prescreveu. Não te afastes dela nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas feliz em todas as tuas empresas. Traze sempre na boca (as palavras) deste livro da lei; medita-o dia e noite, cuidando de fazer tudo o que nele está escrito; assim prosperarás em teus caminhos e serás bem sucedido. Isto é uma ordem: Sê firme e corajoso. Não te atemorizes, não tenhas medo, porque o Senhor está contigo em qualquer parte onde fores” (Josué 1, 7-9).
Grande parte do simbolismo cristão se refere ao Espírito Santo como Luz e esse símbolo, em toda a tradição filosófica e religiosa, está relacionado com o conhecimento: Luz ─ Sol ─ Clareza ─ visibilidade ─ etc. Pois a grande virtude do Espírito Santo em nós é permitir que compreendamos coisas, ou enxerguemos determinadas realidades, que, com o simples uso da razão, não nos seriam possíveis. É um Espírito de Sabedoria, ou seja, não há uma suspensão da consciência (uma possessão), mas um aumento da consciência. Nós somos veículo da graça, mas não podemos sê-lo inconscientemente, ausentes de nós mesmos; é preciso um esforço pessoal, de busca, no sentido de desenvolver os talentos (tal como na parábola bíblica). É a ação do Espírito Santo que me ilumina este caminho, que faz com que eu perceba e aceite determinadas realidades, mesmo que eu não consiga processar racionalmente. O Espírito Santo não age alheio à inteligência humana, mas em favor desta, abrindo a nossa inteligência e não a substituindo.
Nosso viver reflete uma vida humana comum, ainda sem grandes esperanças na visão escatológica. “Mas, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus: pois para ele são loucuras. Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que se devem ponderar” (I Coríntios 2,14). “A vós, irmãos, não vos pude falar como a homens espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Eu vos dei leite a beber, e não alimento sólido que ainda não podeis suportar. Nem ainda agora o podeis, porque ainda sois carnais. Com efeito, enquanto houver entre vós ciúmes e contendas, não será porque sois carnais e procedeis de um modo totalmente humano? Quando, entre vós, um diz: Eu sou de Paulo”, e outro: “Eu, de Apolo”, não é isto modo de pensar totalmente humano?“ (I Coríntios 3, 1-4).
Nesse estágio, amamos com um amor humano e nós somos o critério do amor. “Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se, e um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova: ‘Mestre, qual é o maior mandamento da lei?’ Respondeu-lhe Jesus: ‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Deuteronômio 6,5). Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Levítico 19,18). Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os Profetas” (Mateus 22, 34-40).
No segundo estágio da caminhada de santidade, temos fé em Jesus Cristo. É uma Fé de confiança em Jesus Cristo: na Eucaristia e na Palavra de Deus. “Eu sou o pão da vida. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. Eu sou o pão vivo que desci do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo” (João 6, 48-51). “Em verdade, em verdade vos digo, se alguém guardar a minha palavra, não verá jamais a morte” (João, 8, 51).
Acontece o primeiro Pentecostes e nascemos de novo com uma nova visão do mundo de Deus e uma nova esperança, um novo amor. “Jesus replicou-lhe: “Em verdade, em verdade te digo, quem não nascer de novo, não poderá ver o reino de Deus” (João 3, 3). “Não te maravilhes de que eu tenha te dito: Necessário vos é nascer de novo” (João, 3,7).
Agora temos um amor pessoal a Cristo e aos irmãos. “Dou-vos um novo mandamento:’Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”. (João 13, 34). “Este é o meu mandamento: Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo” (João 15,12).
Nós não podemos ficar impressionados com a descoberta do amor e romper com a razão que sustenta a doutrina, base da fé. O segundo estágio, da “Fé Confiante”, precisa ser somado ao primeiro, da “Fé Racional”.
No terceiro estágio, temos a fé de Jesus Cristo, uma fé expectante, que espera, que põe a vontade em ação, coerente com a “Fé Racional” e com a paixão da “Fé Confiante”, que vemos nos santos quando lemos sobre a vida deles. É muito mais que fé em Jesus, é a de Jesus Cristo, com a qual faziam as mesmas obras Dele e, não raras vezes, carregavam suas marcas. “Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto de meu Pai” (João 14,12).
Jesus tinha uma fé absoluta na realidade da presença de Seu Pai: “Eu e o Pai somos um” (João 10,30), e fé no poder absoluto de Seu Pai sobre todas as coisas: “Numa só palavra de Deus compreendi duas coisas: A Deus pertence o poder” (Salmos 61, 12).
Várias vezes Jesus se submeteu à autoridade humana e a considerava derivada de Seu Pai conforme: “Cada qual seja submisso às autoridades constituídas. Porque não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram instituídas por Deus. Assim, aquele que resiste à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus; e os que a ela se opõem atraem sobre si a condenação” (Romanos 13, 1-2). É obedecendo às autoridades humanas que vamos nos educando para crer no poder de Deus, dando a Deus o que é de Deus: reverência à sua autoridade. “Jesus então lhes replicou: ‘Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus’” (Marcos 12, 17).
Para Jesus a realidade do mundo era inferior à realidade de Deus, que era plena. Falta-nos intimidade com Deus para colocarmos as realidades nos devidos lugares. Jesus tinha Fé no Amor paterno de Deus. “Eu e o Pai somos um” (João 10,30). Jesus descansou nos braços de Deus e nos revelou que Deus é Pai. Com Deus Pai nós podemos ser sempre filhos pequenos e nunca chega a hora do desmame, da emancipação psicológica.
Deus Pai nunca envelhece, não morre, não acaba nem fica esclerosado. E nós podemos ser sempre filhos, dependentes, podemos chorar, ser frágeis, descansar em um Pai que é nosso e não só do vizinho. Deus Pai se alegra em nos dar as bênçãos necessárias. “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem” (Lucas 11,13). “Naquela mesma hora Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: Pai, Senhor do céu e da terra, eu te dou graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, bendigo-te porque assim foi do teu agrado” (Lucas 10, 21-22).
Jesus não colocava limites no poder e na ação de Seu Pai para ajudar os homens. Parece que a nossa falta de visão escatológica, ou as nossas vistas curtas de formiga são obstáculos aos planos de Deus. “...porque a Deus nenhuma coisa é impossível” (Lucas 1,37). “Adiantou-se um pouco, e prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas, sim, o que tu queres”. “Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos? Mas como se cumpririam então as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim?“ (Mateus 26, 53-54).
Quando passamos para esta de Jesus, temos sede de Pentecostes diário, de um renascer para uma nova esperança, uma vida dinâmica que cresce à medida que aumenta nossa visão de Igreja. “Em verdade, em verdade te digo, quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no reino de Deus. Não te maravilhes de que eu tenha dito: Necessário vos é nascer de novo” (João 3, 5 e 7).
Começamos a ter necessidade de corresponder ao amor de Jesus e nos sentimos agora frágeis, reconhecendo a nossa miséria e, então, ficamos compromissados a fazer limpeza em nossa alma e a desenvolver um amor comunitário, arrebanhar pessoas que queiram conosco ser Igreja para amar Jesus e servi-lo. “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um como nós somos um” (João 17, 21-23).
A visão de “nós” questiona os nossos limites. Ficamos contritos e arrependidos de nossos pecados, buscando uma limpeza de nosso passado através da confissão.
Com essa mentalidade comunitária, somos motivados a trabalhar na nossa paróquia, desenvolvendo no nosso interior uma convicção de ser igreja, amando a Deus, obedientes ao nosso Bispo, ao nosso sacerdote, com zelo pela evangelização dos pequeninos. Ficamos felizes de conhecer melhor, orar, engajar-se e trabalhar na nossa comunidade paroquial.
Este amor comunitário é um dos motivos pelo qual estou escrevendo este artigo, convidando você para ser Igreja e corresponder ao amor de Jesus Cristo, respondendo ao Seu convite: “A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (I Pedro 1, 15-16).

Juracy Villares

Comunidade Missionária Santíssima Trindade

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