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Alimento Espiritual: Artigos e Formação

:: Canais / Espiritualidade

O cristão, é como pião, só é bonito vibrando com Deus!

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Do livro: “Vocação: uma vida encantada com Deus!” de Juracy Villares.
Antigamente, um dos brinquedos de que os meninos gostavam era o pião. O pião é um cone de madeira que tem uma ponta pontiaguda. Os meninos enrolavam um cordão ou um barbante nele. Era chamado fieira e era enrolado em torno deste cone e depois soltavam o pião para vê-lo girar. Para que serve um pião? Para nada. Nós também somos como o pião, parados e sem graça!
Mas se Deus (o menino) nos envolve em um Pentecostes (o barbante) e solta-nos na Igreja e no mundo, ficamos vibrando e até cantamos como o pião. Todos se voltam para nós procurando uma beleza que irradia de nosso ser. Onde está a beleza do pião? No invisível girar, na dança que o barbante provocou; assim, o que há de bonito em nós é a graça do Pentecostes.
 A dança do pião é para os outros. O pião não tem a posse da dança. Nós vivemos os carismas, a beleza dos dons, a vida da graça, o poder de Deus para os outros e não podemos tomar posse do Espírito Santo e de seus dons.
Um outro aspecto importante que podemos observar é que, com os atritos e buracos da rua, o pião perde a velocidade e precisa novamente de um novo enrolar-se na fieira. Nós também perdemos a graça de Deus nos atritos e buracos da vida e sempre precisamos de um novo Pentecostes para manter a vibração da Unção. “Não te maravilhes de que eu tenha dito: Necessário vos é nascer de novo” (João 3,7).
Apesar de toda essa maravilha que é Pentecostes na nossa vida, somos humanos e pecamos mesmo após a efusão do Espírito Santo em nós. A Igreja (ou os homens da Igreja) também teve seus pecados nestes vinte séculos, mas temos a promessa de Jesus: “Eu te declaro: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16, 18).
A Igreja sempre precisou de Concílios, de Santos, de Místicos e de Papas, que enrolavam a Fieira da Unção dando voltas na Igreja em seu martírio silencioso e muitas vezes os papas tiveram intervenções ousadas para a sua época. A Igreja sofreu períodos de buracos e atritos que diminuíam a dança da Unção e retornava com outro nome o mesmo ardor do Espírito Santo.
A Igreja é também como o mar, tem não somente momentos de grandes ondas do amor de Deus, de maré alta, como também várias ondas de desacertos, martírios, perseguições, momentos de maré baixa. Houve várias ondas de Pentecostes ou Escolas de Espiritualidade: Patrística, Agostiniana, Medieval, Escolástica, Franciscana, Inaciana, Teresiana.
Entretanto, a Igreja viveu, nos meados do século passado, situações de maré baixa até o ponto de o Papa João XXIII ter a santa ousadia de pedir um novo Pentecostes para ela, iniciando, com o Concílio Vaticano II, uma nova onda de maré alta para renová-la. De certa forma, o papa João XXIII enrolou novamente a Fieira e soltou o peão da Igreja numa dança pós conciliar. Surgiram, como conseqüência, vários grupos ou movimentos ungidos pelo Espírito Santo, entre eles a Renovação Carismática Católica.
A participação zelosa e freqüente da Santa Missa buscando acolher o mistério da presença Eucarística e receber Jesus Cristo como Nosso Amado Senhor possibilita, muitas vezes, a experiência de Pentecostes durante a celebração Eucarística.
O primeiro Pentecostes sempre é um marco em nossa vida, mas ele é como o maná que tinha que ser recolhido diariamente conforme as necessidades da família e não podia ser reservado para o dia seguinte. Há um movimento de ascese proporcionado pela ação do Espírito Santo, ou seja, vamos ‘'crescendo espiritualmente’' e, portanto, contemplando verdades mais ''altas'' (nos aproximando de Deus). Mas, todos os dias, nós precisamos de um novo Pentecostes!
A unção que recebemos de Deus é para hoje e supre eficientemente todas as necessidades nossas e da comunidade onde vivemos. “Moisés disse-lhes: ''Este é o pão que o Senhor vos manda para comer’' (…) ''Eis o que vos ordena o Senhor, ajunte cada um o quanto lhe for necessário para comer; para aqueles que estão em sua tenda'' (...) Mas, quando se media com o gomor, aconteceu que o que tinha ajuntado muito, não tinha demais e ao que tinha ajuntado pouco não lhe faltava, cada um recolhia segundo a sua necessidade. (…) Moisés disse-lhes: ''Ninguém reserve dele para o dia seguinte''. (…) Todas as manhãs fizeram a sua provisão, cada um segundo as suas necessidades e quando vinha o calor do sol derretia-se”. (Êxodo 16, 15-16 e 18-20).
Então, a cada dia se faz necessário estar diante de Deus para pedir um novo Pentecostes, a nova Unção para perceber o sentido da vida que precisamos perseguir para agradar o Nosso Amado Senhor.

Juracy Villares

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